Festa do Milho Sagrado celebra a soberania alimentar e a resistência dos povos Guarani

Entre os dias 25 a 31 de julho aconteceu na aldeia Araponga em Paraty (RJ) a celebração do avati (milho).

Agradecer e bendizer as sementes dos cultivos do alimento sagrado. O avaxi (milho no idioma guarani) é celebrado na aldeia Araponga em Paraty (RJ), em dois momentos diferentes do ano: janeiro e julho. A festa faz parte da colheita, reza bons tempos para os plantios futuros e, mais do que isso, renova a sobrevivência de tradições culturais alimentares milenares do povo guarani mbyá. Realizada entre os dias 25 a 31 de julho deste ano, a Festa do Milho Sagrado reuniu mais de 150 pessoas num evento que proporciona a troca de saberes entre todos aqueles que pisam neste território.

Nesta edição recebeu nove comunidades indígenas guarani espalhadas pelo Brasil e visitantes de outras localidades. Lideranças e representantes das comunidades de Itaxim de Paraty (RJ), Krukutu, Tangará, Guyra Paju e Tenondé-Porã de São Paulo (SP), Rio Branco de Itanhaém (SP), Bracuí de Angra dos Reis (RJ), Morro Alto de São Francisco do Sul (SC) e da Rede Cultural Beija-flor.

“Celebrar o milho guarani é algo muito importante para todos nós”, diz Werá Xunu da Silva jovem liderança da comunidade Rio Branco de Itanhaém (SP). Ele relatou que na sua comunidade a criação de hortas comunitárias coletivas está fortalecendo a prática da agroecologia. “Sabemos que já não dá mais pra fugir do feijão com arroz, mas cultivar esse alimento é fundamental para manter nossas tradições”, salientou.

Partilhar e fortalecer

A agroecologia e a multiplicação das sementes do milho entre as diversas comunidades que estiveram presentes representam um ato de resistência em seus territórios. Simbolizado no milho, a saúde, a alimentação e manutenção de saberes ancestrais se faz presente na vida de cada um desses grupos indígenas. Grande maioria das comunidades que estiveram no festejo vivem realidades semelhantes no que se refere a luta pela demarcação de terras e pela garantia de seus direitos socioambientais.

O Observatório dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) tem atuado junto ao Fórum das Comunidades Tradicionais (Ubatuba, Paraty e Angra) promovendo partilhas agroecológicas atividades relacionadas ao milho sagrado”, pontua Fábio Reis, pesquisador do Observatório. Segundo ele, trata-se sobretudo de um processo de assessoria técnica contínuo que buscar gerar autonomia às comunidades e valorizar o cultivo do milho sagrado guarani..

Reis ressalta que essas ações são articuladas como forma de unir o conhecimento tradicional guarani sobre a agricultura e manejo do cultivo do milho e os princípios da agroecologia. “Esse projeto está atuando nas aldeias de Araponga, Paraty-Mirim e Rio Pequeno e vai possibilitar também a reabilitação produtiva de áreas de plantio, destaca o pesquisador. “As partilhas articulam também parcerias entre as aldeias, instituições e agricultores locais criando uma rede ampliada de trabalho”, finaliza.

Cura, alimento e tradição

Entoando cantos de cura que fazem parte dos ritos de fé dos povos guarani mbyá, as noites na casa de reza também foram dedicadas aos louvores por esse alimento. Com a participação dos corais presentes que louvam a Nhanderú, os diversos grupos fizeram parte do momento sagrado para que as sementes de milho fossem benzidas como forma de consagrar também os plantios futuros.

“A felicidade de estar nesta aldeia novamente é muito grande. Hoje é difícil ver essa atitude na casa de reza, na maioria das aldeias não vemos mais isso. Mas aqui é diferente, podemos ver a cultura guarani viva”, pontua Geraldinho da aldeia Krukutu localizada na cidade de São Paulo. Maracás, violão, violino, danças e muito canto em guarani fizeram parte da programação das noites na festa.

Texto e fotos: Comunicação Fórum de Comunidades Tradicionais

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