Dez anos de lutas, conquistas e histórias do Fórum de Comunidades Tradicionais!


Lançamento FCT+10

Por: Comunicação FCT

Campanha “FCT+10 - Em Defesa do Território Tradicional” foi lançada no Quilombo do Campinho durante a 18ª Festa da Cultura Negra.

Em um território de lutas históricas e resistência, durante o final de semana da comemoração da Consciência Negra, a campanha “FCT+10 - Em Defesa do Território Tradicional”, foi lançada no dia 19 de novembro, no quilombo do Campinho em Paraty (RJ). O evento representou o marco inicial dos dez anos do Fórum de Comunidades Tradicionais (Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba), que no começo de 2017 completará uma década de lutas, conquistas e muita força junto aos povos e comunidades tradicionais caiçaras, indígenas e quilombolas.

Fortalecendo as raízes ancestrais, mestras e mestres, griôs e pajés de diversas comunidades dos três municípios estiveram presentes e o começo da festividade se deu com a apresentação do bloco afro das crianças do quilombo do Campinho, acompanhadas do corpo de dança. Ao som dos tambores, com dança e alegria, estandartes com bandeiras de luta se espalharam pelo local: defesa do território, educação diferenciada, cultura, turismo de base comunitária (TBC), saneamento ecológico e agroecologia.

O ato comemorativo foi realizado também para marcar e reconhecer as lutas, conquistas e histórias vividas durante os dez anos e projetar para o futuro, os próximos, dez, vinte e tantos outros anos que virão. A abertura oficial foi feita por Vagner do Nascimento (Vaguinho), coordenador do FCT e um dos fundadores desse movimento junto às demais lideranças comunitárias que também participaram dessa criação coletiva. Esse movimento social representa a resistência de todas as comunidades desta região que lutam diariamente para preservar seus modos de vida e garantir o território,

“Há dezoito anos começamos essa festa para trabalhar com a identidade quilombola e negra e hoje é uma honra fazer o lançamento do FCT +10, pois são dois movimentos que se complementam”, destaca Vaguinho. Segundo ele, o momento complexo vivido pelo país faz com que diversos retrocessos nas políticas sociais afetem diretamente os povos e comunidades tradicionais, as mulheres, o negro, os indígenas, a juventude no Brasil. “Nosso movimento pede a união das pessoas, para seguir lutando por um país melhor, acredito muito nessa construção que estamos fazendo”, completa.

Lançamento FCT+10

Por: Comunicação FCT

Durante o lançamento, diversas lideranças caiçaras, indígenas e quilombolas que fazem parte do processo de fundação do Fórum (FCT), lutando por resistir no território, todos falaram de maneira emocionada sobre a trajetória desses dez anos e cada um pontuou a importância desse movimento continuar e transmitir aos mais jovens a força para seguir em luta. O evento que foi construído também com o apoio do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), por meio da Fiocruz e da FUNASA, evidenciou, sobretudo, as parcerias fundamentais durante a história do FCT. Instituições, projetos, universidades e de tantos outros colaboradores que fizeram e fazem parte da história dos primeiros anos.

O marco inicial da campanha “FCT+10 Em Defesa do Território Tradicional” contou com a participação do coral guarani da aldeia Itaxim de Paraty Mirim e com uma dança apresentada pelo pataxós, que estão há alguns meses vivendo na região. Celebrada também com um grande café da roça preparado pelas incríveis mulheres do restaurante do Campinho, a festividade uniu povos e comunidades dos três municípios numa tarde histórica e cheia de lembranças.

“Só a cultura pode dizer quem somos”

“O FCT é um lugar de unir forças de luta e um lugar de aprendizado principalmente para os nossos jovens, que possam entender a luta dos mais velhos. O nosso movimento fortalece o território, a educação diferenciada e essa comemoração é uma forma de agradecer também nossos parceiros e nossas lideranças”, destaca Ivanildes Kerexu Pereira da Silva, da aldeia Itaxim de Paraty Mirim. “Preservar a cultura é fundamental para nossa sobrevivência, sem a cultura não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. Só a cultura pode dizer quem somos”, ressaltou Kerexu, que junto aos demais indígenas, continuam lutando para preservar suas culturas ancestrais.

Defesa do território: a primeira bandeira de luta

“A necessidade de lutar contra o sistema fez com que nós, comunidades nos uníssemos para criar essa organização, por consciência de que sozinho ninguém consegue muita coisa. E, é preciso muita união para que possamos fazer os enfrentamentos necessários para defesa dos nossos territórios”, destacou Laura Maria, liderança do Campinho. Ela conta que as primeiras reuniões do FCT começaram em 2007 e que a primeira bandeira de luta foi a defesa do território. “Nós vimos a necessidade urgente de defender o território para que fosse possível também defender nossos modos de vida, continuar a plantar, a pescar, a fazer nossos artesanatos”, completa.

“Território: nosso santuário”

“Desde a abertura da Rio Santos, a especulação imobiliária chegou de maneira avassaladora, tirando as comunidades dos seus locais de origens, colocando-as para trabalhar nas casas de veraneio, formando as periferias, e inviabilizando o modo de vida dos caiçaras, pescadores, indígenas e quilombolas”, conta Rosbon Dias Possidonio, caiçara de Trindade (Paraty-RJ). Ele faz parte da Associação de Barqueiros de Trindade (Abat) e da Coordenação Nacional Caiçara. “Não tínhamos valorização da cultura e o FCT veio para fortalecer isso, para mostrar que o que somos, que o nosso território é o nosso santuário e que temos que estar aqui. O Fórum vem ao longo dos anos fazendo esse trabalho”,

Após esses primeiros dez anos de história, o Fórum das Comunidades Tradicionais (Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba) segue na construção de uma luta digna em busca de direitos e acesso às políticas públicas voltados aos povos tradicionais. Território, cultura, educação diferenciada respeito por nossas tradições e modos de vida. Com a sabedoria ancestral dos mestres de cada uma das etnias, a força da juventude e o olhar e alegria das crianças que nascem para dar continuidade ao movimento, seguimos em luta para preservar e resistir.

"O povo que planta e pesca,

Canta, dança, faz festa, no seu pedaço de chão

Abastece a sua mesa,

Agradece a natureza em qualquer religião.

Seu lugar seu oratório,

Tirar o seu território é calar a tradição.”

Luis Perequê

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Fotos: Felipe Scapino e Comunicação FCT

#FCT10