Quilombo da Caçandoca promove evento que marca a luta do povo quilombola em Ubatuba


Preservar é Resistir - Tia Cida- Quilombo da Caçandoca por Júnior Machado

A programação acontece no próximo sábado, dia 12 de maio durante o dia todo na comunidade do Quilombo da Caçandoca

“Maio Negro -Dia de Resistência e Luta Quilombola” é uma iniciativa promovida pela Associação de Remanescentes do Quilombo da Caçandoca em parceria com o Coletivo Afrobrasilidades com o objetivo de marcar o mês de maio como uma data de reivindicações das populações quilombolas e negras de Ubatuba região.

O evento acontece no sábado dia 12 de maio durante o dia todo no Quilombo da Caçandoca e conta também com o apoio do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT), da APPRU e do Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros de São Paulo. A programação é aberta e gratuita e tem início às 10h com uma roda de conversa sobre a garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Em seguida, o Projeto Livro a Janela da Alma montará um espaço de leitura de histórias com obras focadas no protagonismo negro.

Após o almoço comunitário, a parte da tarde tem início uma oficina de escrita libertária. Em seguida acontece uma vivência de danças circulares sagradas e depois a apresentação de uma reunião de maracatus do Litoral Norte. O dia será encerrado com uma roda de capoeira, uma trilha pela comunidade e depois um sarau de encerramento na beira da praia.

Saiba mais sobre o Quilombo da Caçandoca

Caçandoca é o primeiro quilombo em áreas marinhas do Brasil possui um território de 890 hectares e está localizado na região Sul de Ubatuba. A ocupação do lugar aconteceu no final do século XIX, mas, durante muitos anos os moradores dessa comunidade foram vítimas de um violento processo de expropriação de seu território.

Formada por cerca de 50 famílias, o acesso à comunidade é feito por uma estrada de terra a partir da BR-101. Os quilombolas têm fortes relações históricas com seu território, e um modo de vida sustentável que garante a preservação das praias e de grande parte da Mata Atlântica ao redor.

Essa foi também a primeira comunidade quilombola no país a conseguir um decreto de desapropriação do governo federal por interesse social após 2003, ano em que foi publicado o Decreto Federal 4887 que normatiza o processo de titulação das terras de quilombo. A área decretada corresponde a cerca de metade do território reivindicado pela comunidade.Vivem em terras ocupadas há quase dois séculos por seus antepassados escravizados, trabalhadores das fazendas da região.

Em 1998, após anos de resistência e mobilização política, diante de uma ordem judicial de reintegração de posse emitida em favor dos invasores, um grupo de ex-moradores da Caçandoca resolveu resistir mais fortemente: acamparam numa parte das terras ancestrais, para pressionar o poder público. Foi quando solicitaram o seu reconhecimento como comunidade remanescente de quilombo e demandaram a titulação de seu território conforme garante a Constituição Federal.

Atualmente a comunidade possui diferentes núcleos que realizam atividades culturais, turismo de base comunitária e eventos no quilombo. Praias, trilhas, artesanatos e muitas outras atrações fazem parte do roteiro para aqueles que querem conhecer o local.

Texto: Comunicação Popular FCT - Vanessa Cancian

Fotos: Júnior Machado/ Quilombo da Caçandoca Editoração Eletrônica: Comunicação Popular FCT - Vanessa Cancian

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