Rede Nhandereko participa do Encontro Nacional de Agroecologia


Rede Nhandereko - ENA - 2018

Comunitários do FCT participam de partilha sobre as experiências de turismo de base comunitária (TBC) no ENA

Realizado em Belo Horizonte, entre os dias 31 de maio a 3 de junho, o IV Encontro Nacional de Agroecologia, teve em sua programação a roda de conversa “Agroecologia e turismo comunitário: Partilhando experiências e discutindo princípios comuns”, iniciativa promovida pela Casa dos Saberes, Rede Tucum e a Rede Nhandereko, foi uma das atividades autogestionadas realizadas no evento. Lideranças do Fórum de Comunidades Tradicionais estiveram presentes e construíram de maneira coletiva essa partilha de experiências sobre o TBC que é praticado na região.

“Tivemos a honra de representar a Rede Nhandereko de TBC no IV Encontro Nacional de Agroecologia, em Belo Horizonte. Acompanhados do Jongo do Campinho da Independência, que abriu a roda de conversa nos presenteando com suas manifestações Culturais”, destaca Vaguinho de São Gonçalo, um dos coordenadores da Rede Nhandereko. Com pessoas de várias regiões e estados do Brasil, agricultoras/es familiares e de assentamentos, redes e coletivos de agroecologia e povos e comunidades tradicionais estiveram juntos para ouvir, conhecer e intercambiar saberes sobre uma nova lógica de turismo.

Para abrir o espaço com a força da ancestralidade quilombola, Laura Maria do Quilombo Campinho, cantou e contou sobre sobre o jongo, manifestação cultural afro-brasileira, que representa também a resistência e a força da matriz negra. A conversa teve início com a partilha das experiências da Rede Tucum do litoral do Ceará e em seguida a Casa dos Saberes apresentou o trabalho com o agroturismo na região serrana do Rio de Janeiro.

A Rede Nhandereko também esteve representada por Cadinha Martins, do Quilombo do Campinho que marcou presença compartilhando as experiências da comunidade. “Eu fiz um resumo do nosso roteiro, contei sobre a nossa forma de conduzir sempre com a presença inicial de uma ou um griô que fundamenta a história da comunidade”, conta Cadinha. Ela relata: “foi muito rico estar fora do nosso território falando da nossa experiência para pessoas e outras comunidades”.

TBC e agroecologia tem tudo a ver

O turismo que promove a resistência e a luta pela terra e pela garantia dos direitos dos povos e comunidades tradicionais fortalece a prática da agroecologia em cada um dos lugares em que é praticado. “O TBC é uma possibilidade de resistência no território, faz com que a comunidade possa se olhar”, conta Vaguinho sobre a importância de estar num espaço como o Encontro Nacional de Agroecologia falando do turismo praticado pelas comunidades da região da Costa Verde no Rio de janeiro.

“Nossa iniciativa reúne diversas comunidades, empreendimentos coletivos, individuais e familiares e consolida de maneira intensa no território um turismo, protagonizado pelos comunitários da região, como uma ferramenta de luta em defesa de seus direitos e que se contrapõe às privatizações. Gera renda, autonomia, autoestima, promove agroecologia, valoriza os griôs e mestres, insere os jovens no mercado de trabalho e na maioria das vezes é protagonizado pelas mulheres das comunidades”, completa.

Segundo ele, fazer turismo de base comunitária é um caminho encontrado pelo FCT para superar as pressões impostas pelo Estado e pelos especuladores. “Cada região tem o seu modo, tempo de constituição, seu jeito de fazer TBC. Pra gente o TBC agrega uma linha conceitual, assim como a agroecologia, se trata do nosso movimento nos espaços de luta por representatividade e por alimento saudável”, finaliza.

Texto: Comunicação Popular FCT - Vanessa Cancian

Fotos: Grupo de whatsapp Editoração Eletrônica: Comunicação Popular FCT - Vanessa Cancian

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