Quilombolas são agredidos por policiais em manifestação contra aumento da passagem de ônibus em Para


O povo do Quilombo do Campinho fechou a passagem da BR 101 nos dois sentidos da via na altura do Km 588 em protesto ao aumento da passagem de ônibus, que passou de 4,25 para 5 reais nessa segunda-feira (10/12)

A manifestação pacífica que fechou o fluxo de carros nos dois sentidos da Rodovia Rio Santos teve início às 7h. Jovens, crianças, homens, mulheres e griôs (mestras e mestres mais velhos) deixaram suas casas e foram até a rodovia se manifestar contra o aumento nas passagens dentro do município de Paraty. A empresa Colitur, responsável pelo transporte público municipal, aumentou o valor da passagem nesta segunda-feira, dia 10 de dezembro, para 5 reais.

Os moradores reivindicaram a presença de autoridades do município e da empresa para que pudessem revogar o aumento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi até o local para intervir e informou que o corpo de bombeiros iria chegar até o local para apagar o fogo que fechava a rodovia.

Tiros, spray de pimenta e terror contra os quilombolas

Durante a chegada do caminhão dos bombeiros, e sem que houvesse confrontos, os policiais atiraram spray de pimenta no povo quilombola, incluindo mulheres que estavam com seus filhos nos braços. A violência não parou por aí. Arma de choque, cacetete para cima das moradoras e moradores e disparos de tiros com arma de fogo para cima e na direção dos moradores aterrorizaram os manifestantes.

Vídeos feitos e enviados em grupos de whatsapp registram o momento em que a PRF agiu com truculência com a população para “dispersar” a manifestação. Essa atitude representa grave violação dos direitos humanos contra a população dessa comunidade tradicional.

“O protesto foi provocado pela própria comunidade e num primeiro momento a polícia estava tranquila, conversando e mostrando entendimento da situação. A primeira tensão aconteceu quando a PRF tentou impedir que os manifestantes continuassem colocando fogo. Eu abordei ele dizendo que em volta se tratava de uma comunidade, que tiro disparado assim poderia atingir as pessoas. O policial respondeu que era problema nosso e que era para corrermos atrás dos nossos direitos. Ameaçou nossas lideranças e tentou atingir as pessoas com arma de fogo”, relata um morador que estava na manifestação.

O que diz a empresa?

A Colitur não se posicionou nem foi até o local para conversar com os manifestantes. A comunidade continuará na resistência para que esse aumento abusivo de preço seja revisto. Veja o vídeo:

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