Construção coletiva e muita diversidade marcaram o 11º Festival de Inverno da Praia do Sono


Festival de Inverno Sono

Realizado de 17 a 19 de agosto, o Festival de Inverno da Praia do Sono reuniu os povos e comunidades tradicionais da região em três dias de celebração e encontros

O 11º Festival de Inverno da Praia do Sono teve início na sexta-feira (17/08) com o mutirão de arrumação e decoração do espaço. Em seguida, a abertura oficial do evento foi feito por Leila da Conceição, presidenta da Associação de Moradores e por Sérgio Reis, representando a juventude da comunidade. Em suas falas, os representantes agradeceram lideranças, juventudes, moradores, amigos e instituições como o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, Fórum de Comunidades Tradicionais, a Prefeitura de Paraty, o Sesc Paraty, a APA Cairuçu, e o Centro Cultural Puchalski, que contribuíram de alguma forma para a realização do Festival.

Toda arrumação prévia teve a colaboração e o apoio de muitas mãos, desde a estrutura de bambu, da lenha da fogueira à árvore de livros, as barraquinhas e bandeirinhas, barquinhos que os alunos da escola Martim de Sá também produziram e contribuíram, a exposição de artesanatos, bordados, pinturas de moradores do Sono e do fotógrafo Gilberto Marques deixaram mais belo ainda o espaço do evento.

A primeira noite contou com a animação musical providenciada pela Rádio Caiçara FM, teve exibição de filmes, bingo, pescaria e apresentação da banda local com Reginaldo dos Santos.

No sábado (18/08) o dia começou com a oficina de bordado realizado pelas Bordadeiras da Praia do Sono e deu-se início a Corrida de Canoa Caiçara, protagonizada pela Associação de Amigos e Remadores da Canoa Caiçara de Ubatuba – AARCA, lideranças e amigos da comunidade do Sono. O momento da corrida contou com muitos apoios, desde o feitio dos troféus, dos empréstimos das canoas, até a realização do torneio, que veio despertar o interesse e mobilizou os moradores para voltarem a remar e preservar a cultura da canoa caiçara, essa programação foi estendida até o fim da tarde com torcidas e premiações. Para repôr as energias o pirão de peixe foi servido no espaço da escola, para todos os participantes.

Oficina de bordado

Durante a noite, os registros fotográficos que registraram as emoções da corrida de canoa, foram exibidas no telão e os participantes puderam rememorar os momentos de vitória. Enquanto a roda de conversa sobre a luta das comunidades tradicionais no Brasil, o Movimento Caiçara da Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras e o Turismo de Base Comunitária do Fórum de Comunidades Tradicionais, acontecia em um canto em outro canto acontecia o torneio de Sueca.

Nas barraquinhas teve comidas, bingo e a pescaria que foram protagonizadas pela juventude e pelas crianças. A banda Praieira trouxe o forró de Ubatuba para agitar a programação do Festival de Inverno e o fim da noite animou a ciranda caiçara, com a dança do Arara e a noite encerrou-se na fogueira com os toques da viola.

No domingo (19/08) a programação começou com o torneio de futebol de areia infantil, caiçaras contra os guarani da coral Araponga e torneio feminino, após a premiação, foi servido no espaço da escola o tradicional peixe seco com abóbora. Durante a tarde tivemos apresentações culturais, primeiro com o coral indígena guarani da Aldeia Araponga, que trouxe a energia dos ancestrais para a nossa terra com a dança do Xondaro e em seguida o Centro Cultural Puchalski. Essa apresentação produzida por jovens dançarinos e para a juventude, trouxe a reflexão sobre as consequências e malefícios do uso de drogas.

Com a finalidade de agregar o paladar tradicional ao Festival, foi realizado o concurso de peixe seco, com culinárias de caiçaras local. Durante a programação da tarde, as oficinas de Pintura de aquarela, Bordado e pulseiras de Tear, não pararam de funcionar, todos estavam bastante envolvidos com as diversas atividades. No fim da tarde a programação fechou com a roda de conversa sobre Educação Diferenciada, do Coletivo de Apoio a Educação Diferenciada do Fórum de Comunidades Tradicionais. A noite foi com o fechamento tradicional, barraquinhas, bingo e músicas com a rádio FM e a ciranda caiçara.

Texto: Marcela Cananea

Edição e editoração: Vanessa Cancian

Fotos: Eduardo Napoli